" Eu não consigo sonhar. Prendam este homem. "
Disse o homem que não conseguia sonhar por muitos anos em sua vida. Ele disse isto quando um entrevistador de um programa da internet sobre pessoas diferentes lhe perguntou como era viver sem sonhar.
Mas, depois de alguns momentos em silêncio, diante do que o homem disse, o entrevistador mudou de assunto. E o homem que não sonha, não pôde ser escutado e interpretado do seu sonhar acordado.
E o homem foi esquecido.
E o homem voltou para sua angústia, para sua vida ordinária entre amores, paixões e medos.
Era somente um homem comum que não sonhava.
Mais um capítulo para as ficções da vida.
Mais um capítulo para o teatro que é a vida carnal e dos desejos.
Mais um capítulo do baile de máscaras dos falsos, que vestem máscaras para se esconderem e se revelarem somente em meia-verdade.
Mesmo quem não sonha a noite, enquanto dorme, pode sonhar em vida, e não acordar para a vida real.
O maior sonho, não é o que vem com o sono da noite, mas sim o sonho das angústias e dos medos e ansiedades, e é desses sonhos que se deve acordar. Acordar desses sonhos ruins e patológicos é estar consciente, viver consciente, atento. Vigiar, vigiar a si mesmo. Nada mais. O resto é teoria, ou seja, já é outro sonho.
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