Quando me faltava ar
Prendi a respiração por muito tempo para poder querer ser alguém prático.
Ou seja, jamais quis ser alguém pragmático. Onde falta ar, falta ação material
e vida prática. O que fica é só o deserto da mente e suas nuvens chamados
pensamentos.
Vivi desertos de fôlego e calor interno escaldante. Uma febre chamada
infância da vida. O calor vazio das horas se torna agudo nos sofrimentos. E
como sofri. Também amei. Mas como sofri. E sofrer é conhecer a solidão da vida,
e da morte. Sofrer é aprender a aceitar que há um pós esta vida material e de desejos.
Hoje se me há mais fôlego, a falta dele me fez aprender - sob a secura - mais sobre o vazio. Hoje, procuro somente alinhar as velas de meu barco para os
ventos e as ondas que a vida me destina.
E o vazio da falta de ar é o calor elétrico para a luz da vida colapsar e brilhar.
