sábado, 4 de julho de 2026

Quando me faltava ar {Vinícius Mendes Ribeiro

Quando me faltava ar

Prendi a respiração por muito tempo para poder querer ser alguém prático. Ou seja, jamais quis ser alguém pragmático. Onde falta ar, falta ação material e vida prática. O que fica é só o deserto da mente e suas nuvens chamados pensamentos.

Vivi desertos de fôlego e calor interno escaldante. Uma febre chamada infância da vida. O calor vazio das horas se torna agudo nos sofrimentos. E como sofri. Também amei. Mas como sofri. E sofrer é conhecer a solidão da vida, e da morte. Sofrer é aprender a aceitar que há um pós esta vida material e de desejos.

Hoje se me há mais fôlego, a falta dele me fez aprender - sob a secura - mais sobre o vazio. Hoje, procuro somente alinhar as velas de meu barco para os ventos e as ondas que a vida me destina.

E o vazio da falta de ar é o calor elétrico para a luz da vida colapsar e brilhar.