domingo, 26 de julho de 2026

Por vezes, a luz do outro é tão grande

Por vezes, a luz do outro é tão grande que temos que nos curvar para essa luz não nos cegar. É assim com o Sol e com outros seres iluminados que encontramos. Aí nascem a reverência, o respeito e a honra.



domingo, 19 de julho de 2026

A Sua luz me limpou

A Sua luz me limpou. Minhas sombras mais aparentes se foram e posso viver e conviver melhor, à meia-luz. Porque a luz inteira e plena ilumina mas também cega.




quinta-feira, 16 de julho de 2026

Uma parte significativa da verdade

 Uma parte significativa da verdade é a confissão de uma vida vivida ou desejada.





A nudez da sua alma, descalça, em casa

A nudez da sua alma, descalça, em casa, com a janela aberta, recebendo os primeiros raios do sol. Para quê querer algo mais. Deixe que a vida se descortine naturalmente, espontaneamente, e você apenas observa e sente tudo isso. Basta.

sábado, 11 de julho de 2026

Você sempre me ensinou a ser selvagem, por entre sombras e esquecimentos

Você sempre me ensinou a ser selvagem, por entre sombras e esquecimentos. E assim obedeci, reconheci. O que faço é me aperfeiçoar, não ficar parado no tempo. Procuro crescer, desenvolver. Um espírito nunca para. Uma alma também, nunca para. E para não correr o risco de retroceder, é melhor eu caminhar, procurar, encontrar, me satisfazer na vida.

Não me satisfazer com qualquer porcaria, é claro. Não sou desses... achados no lixo. Me valorizo, o quanto posso, e quanto mais clareio o espelho de minha alma e de meu corpo, mais ilumino meu ser. O silêncio vai ficando luminoso e largo. As palavras vão ficando poucas e certeiras.

Acolher a selvageria e incorporá-la, sem endeusa-la, idolatrá-la; somente integrá-la. Assim se faz com a sombra, a treva, o oculto, o mal.





sexta-feira, 10 de julho de 2026

A iluminação, o despertar ou samadhi, segundo o Yoga

A iluminação, o despertar ou samadhi, segundo o Yoga 

A Iluminação, ou Despertar espiritual, é compreendida nas tradições do yoga (ciência espiritual de pelo menos 5000 anos de idade) como a realização direta da verdadeira natureza do ser. Nessa perspectiva, o indivíduo reconhece que sua identidade essencial não é o corpo, a mente ou o ego (ahamkara), mas o Atman, a consciência pura, que é idêntica a Brahman, a Realidade Suprema. Esse despertar não é apenas uma crença ou uma compreensão intelectual, mas uma experiência transformadora que dissolve a ignorância (avidya), considerada a causa fundamental do sofrimento.

O caminho para essa realização culmina no samadhi, o estado mais elevado da meditação descrito por Yoga Sutras de Patanjali. Samadhi é um estado de absorção completa em que as flutuações da mente cessam e a consciência repousa em sua própria natureza. Nas etapas iniciais, conhecidas como savikalpa samadhi ou samprajnata samadhi, ainda existe algum objeto de contemplação ou uma percepção sutil de distinção entre o meditador e aquilo que é contemplado, embora a experiência seja marcada por profunda paz, clareza e expansão da consciência.

À medida que a prática amadurece, o yogi pode alcançar o nirvikalpa samadhi, também chamado asamprajnata samadhi, no qual desaparecem todas as distinções, conceitos e identificações mentais. Nesse estado não há sujeito nem objeto, mas apenas a consciência absoluta, indivisível e ilimitada. Diversas escolas do Vedanta, do Tantra e do Kriya Yoga consideram essa experiência a expressão mais elevada do despertar espiritual, pois nela o praticante realiza diretamente sua unidade com o Absoluto.

Entretanto, a iluminação não se limita a uma experiência temporária de samadhi. O verdadeiro despertar se completa quando essa realização permanece estável em todos os momentos da vida, estado frequentemente denominado sahaja samadhi, ou "samadhi natural". Nele, o sábio vive plenamente inserido no mundo, mas livre da identificação com o ego, agindo com serenidade, compaixão e sabedoria. Assim, pela ótica do yoga, a iluminação representa a consumação do caminho espiritual: a libertação definitiva da ignorância e do sofrimento, e o estabelecimento permanente na consciência una que sustenta toda a existência.

Dr Vinícius Mendes Ribeiro, psicanalista, naturopata e yogue. 



sábado, 4 de julho de 2026

Quando me faltava ar {Vinícius Mendes Ribeiro

Quando me faltava ar

Prendi a respiração por muito tempo para poder querer ser alguém prático. Ou seja, jamais quis ser alguém pragmático. Onde falta ar, falta ação material e vida prática. O que fica é só o deserto da mente e suas nuvens chamados pensamentos.

Vivi desertos de fôlego e calor interno escaldante. Uma febre chamada infância da vida. O calor vazio das horas se torna agudo nos sofrimentos. E como sofri. Também amei. Mas como sofri. E sofrer é conhecer a solidão da vida, e da morte. Sofrer é aprender a aceitar que há um pós esta vida material e de desejos.

Hoje se me há mais fôlego, a falta dele me fez aprender - sob a secura - mais sobre o vazio. Hoje, procuro somente alinhar as velas de meu barco para os ventos e as ondas que a vida me destina.

E o vazio da falta de ar é o calor elétrico para a luz da vida colapsar e brilhar.