Um homem, um Ser
Um homem acende seu cigarro, num intervalo de vazio, entre suas
ocupações. Este homem é qualquer um. É uma pessoa. Uma pessoa que acende na
faísca do ocaso um lampejo que o leva a eternidade, e algo mais.
Nosso homem que fuma silencioso, no lapso de um vazio qualquer, é um
homem comum e qualquer também. Um homem repleto de humanidade, mas que
mergulhou na totalidade de um êxtase. Um homem que inclusive acolheu seu eu
feminino, o integrou num Eu total que está além da dualidade
masculino-feminino. Pois a luz deve acolher a sombra. As dualidades devem ser
acolhidas para a integração de uma unidade.
Nosso homem qualquer, num lapso incalculável de tempo, viajando entre o presente, o futuro, o passado e o sem tempo, nosso homem, contemplou a verdade, enxergou uma luz nele e para além dele. Sabendo que uma luz nunca é uma luz qualquer. Um homem (ou uma mulher) que vê ou sente ou percebe ou intui, uma luz na eternidade, é um homem infinitamente mais rico que qualquer outro. E nosso homem deixou de ser um homem qualquer. Se tornou um Ser. O Ser que ele nunca deixou de ser, só estava nublado de futilidades.
Porque, para além do próprio
homem (ou mulher), reside, no leito do coração, nosso Espírito imortal, perfeito
e realizado.
Vinícius Mendes Ribeiro


