quarta-feira, 22 de abril de 2026

Um homem, um Ser {Vinícius Mendes Ribeiro}

Um homem, um Ser

 

Um homem acende seu cigarro, num intervalo de vazio, entre suas ocupações. Este homem é qualquer um. É uma pessoa. Uma pessoa que acende na faísca do ocaso um lampejo que o leva a eternidade, e algo mais.

Nosso homem que fuma silencioso, no lapso de um vazio qualquer, é um homem comum e qualquer também. Um homem repleto de humanidade, mas que mergulhou na totalidade de um êxtase. Um homem que inclusive acolheu seu eu feminino, o integrou num Eu total que está além da dualidade masculino-feminino. Pois a luz deve acolher a sombra. As dualidades devem ser acolhidas para a integração de uma unidade.

Nosso homem qualquer, num lapso incalculável de tempo, viajando entre o presente, o futuro, o passado e o sem tempo, nosso homem, contemplou a verdade, enxergou uma luz nele e para além dele. Sabendo que uma luz nunca é uma luz qualquer. Um homem (ou uma mulher) que vê ou sente ou percebe ou intui, uma luz na eternidade, é um homem infinitamente mais rico que qualquer outro. E nosso homem deixou de ser um homem qualquer. Se tornou um Ser. O Ser que ele nunca deixou de ser, só estava nublado de futilidades.

Porque, para além do próprio homem (ou mulher), reside, no leito do coração, nosso Espírito imortal, perfeito e realizado.

 


Vinícius Mendes Ribeiro

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